quinta-feira, junho 24


A tua partida ainda me faz alguma confusão. Porque é que te mandei partir sem que restasse qualquer outra alternativa? A resposta não é fácil, ou talvez o teu significado é que custe deixar partir. Conseguiste descobrir outra pessoa que havia em mim. Dei-te o melhor de mim, e tu? O que me deste? Felicidade seguindo-se de desgostos e quedas? "És forte, quem me dera ter a tua força" - disseram-me. Eu acredito que seja, mas hoje, aliás, à uma semana atrás, chegou o momento de deixar tudo para trás e deixar-te ir, deixar que a tua alma (que se apoderou da minha) deixasse também ir a minha (junto com a tua). Chegou a hora, de dar à minha dignidade o valor que tem, chegou o momento de pegar na mochila, fechar a porta do nosso coração e ir-me embora sem olhar para trás, e espero, que se um dia volte a olhar para trás, que lá estejas, ainda, a olhar para mim, a ver-me partir, imóvel sem esboçar um único sorriso, como se não quisesses que partisse. Vou olhar para trás, com a força que me ensinaram a ter, com a ternura de menina que viveu um conto de fadas. Vou olhar-te nesses olhos de criança como olhei naquela noite, que os vi brilhar com a luz da lua, que reflectia no mar a sua forma arredondada. Apetece-me mandar-te uma sms e pedir-te que fiques comigo, mas hoje (e só hoje) eu consigo conter-me, controlar-me. Consigo distinguir o mal que me fizeste da felicidade que te dei sem receber nada em troca. Não me esqueço de ti, de todas as sms de boa noite para que adormecesse a pensar em ti. De todas as sms de bom dia, para que acordasse com um enorme sorriso e com força para mais um dia. Não me esqueço da imaginação que me deste para sonhar, para acreditar na forte palavra "amor" e para te vencer, principalmente esta última, para te vencer. Se este desabafo tivesse sido escrito há umas semanas ou há um mês atras, não teria sido escrito com a mesma intensidade, teria sido um abrigo de desespero e ajuda. Teria sido um mar de lágrimas e lamúrias. Agora, invertemos os papéis, não sei se choras, não sei se ainda me sentes em ti, mas eu sei o que eu sinto, sinto uma enorme vontade de me libertar mas também sinto uma enorme vontade de te abraçar e de sentir outra vez o sentido do amor, do nosso amor. Este verão, vai ser o primeiro de muitos pontos finais, o "outro" de muitos nossos encontros. O reencontro da nossa praia, e o meu desleixe. No final, veremos o desfecho.

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